TCF- Mestrado - MASTER OF SCIENCE IN EMERGENT TECNOLOGIES IN EDUCATION da MUST UNIVERSITY – Florida USA.

 

MUST UNIVERSITY

MASTER OF SCIENCE IN EMERGENT TECHNOLOGIES IN EDUCATION

 

 

 

 

 

ANDRÉA LOPES BARROSO BRITO

        

 

 

 

 

 

 

 

INCLUSÃO DIGITAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS BRASILEIRAS:um estudo sobre o acesso à tecnologia e conectividade nas escolas públicas brasileiras nos últimos 5 anos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FLORIDA – USA

2023

 

ANDRÉA LOPES BARROSO BRITO

 

 

 

 

 

 

 

 

INCLUSÃO DIGITAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS BRASILEIRAS: um estudo sobre o acesso à tecnologia e conectividade nas escolas públicas brasileiras nos últimos 5 anos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Trabalho de Conclusão Final apresentado como requisito parcial para obtenção do título de MESTRE no Curso de MASTER OF SCIENCE IN EMERGENT TECNOLOGIES IN EDUCATION da MUST UNIVERSITY – Florida USA.

 

Orientador (a): Prof. (a) Dr. (a) Liliane Antonio

 

 

 

 

 

 

FLORIDA – USA

2023

 

Agradecimentos

 

A

Agradeço a primeiramente a Deus, por me permitir vencer com saúde e fé na realização desse sonho

Agradeço meu esposo Fábio pelo amor, companheirismo e incentivo na jornada da educação.

Agradeço a minhas filha Ana Letícia e Ana Lara por serem minha maior motivação maior para um crescimento como pessoa e como profissional.

Agradeço aos colegas da Must que contribuíram na minha trajetória acadêmica.

Agradeço aos professores e em especial a minha orientadora Dra. Liliane Antonio da Must que me apoiaram e auxiliaram com paciência e apoio nos estudos e nos desafios do curso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dedicatória

 

Dedico esse trabalho a toda minha família pelo apoio e contribuição que eles deram durante o meu mestrado. O conhecimento que adquiri e as experiências que vivi durante o mestrado mudaram a minha vida de forma positiva e, com certeza, impactarão na minha carreira profissional. Foram muitos os momentos de desafios, incertezas e estresse, tudo isso não teria sido possível sem o apoio e suporte que recebi deles e enfim realizar meu grande sonho de ser mestre.

 

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LISTA DE FIGURAS

 

 

Figura 01- Linha do tempo das políticas públicas de inclusão digital...................................................................................................................22

Figura 02- Indice de privação online e os perfis dos usuários -2021....................................................................................................................32

Figura 03- Alunos de escolas públicas por dispositivos utilizados para acessar a internet-2019......................................................................................................33

 Figura 04- Usuários de internet total de classe social......................................34


 

LISTA DE QUADROS

 

 

Quadro 01- Percentual de escolas com internet. Ano 2019....................36

Quadro 02- Conexão e velocidade da internet. Ano 2019......................37

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

 

 

BNCC- Base Nacional Comum Curricular

IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

LGPD - Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais

PNAD PESQUISA NACIONAL POR AMOSTRA DE DOMICÍLIO

PROINFO-Programa Nacional de Informática na Educação

PROINFO INTEGRADO- PROGRAMA NACIONAL DE FORMAÇÃO CONTINUADA E TECNOLOGIA EDUCACIONAL

PRONINFE Programa Nacional de Informática Educativa

PROJOVEM - Programa Nacional de Inclusão de Jovens

PNBL- Programa Nacional de Banda Larga

TDCI- tecnologias Digitais de Informação e Comunicação

TIC- Tecnologia da Informação e Comunicação

UCA- Um Computador por Aluno

UNESCO- Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura

ZDP -Zona de Desenvolvimento Proximal

 

 


RESUMO

 

O tema “Inclusão digital nas escolas públicas brasileiras: um estudo sobre o acesso à tecnologia e conectividade nas escolas públicas brasileiras nos últimos 5 anos” surgiu a partir da pergunta norteadora:  Quais os avanços, desafios e oportunidades da inclusão digital na educação brasileira nos últimos 5 anos?  E teve objetivo geral da pesquisa analisar a inclusão digital nas escolas públicas do Brasil, e como o acesso à tecnologia e a conectividade têm sido utilizadas para apoiar a educação e a aprendizagem. A pesquisa se justifica por investigar a inclusão digital como ferramenta para melhoria da educação e da sociedade como um todo. Serão identificadas as políticas públicas implementadas nesse período, bem como os principais obstáculos e oportunidades com a inclusão digital. Será analisado o papel da pandemia de COVID-19 na aceleração da adoção de tecnologias digitais na educação e na implementação de políticas de inclusão digital, bem como os desafios que essa mudança representou para as escolas públicas brasileiras. Este artigo de natureza bibliográfica apresenta informações de 2019 a 2022, baseadas em teóricos como Freire (1996), Schons & Santos (2022), Moreira (2022), Castells (2020) que contribuem para uma discussão aprofundada sobre a temática da inclusão digital nas escolas públicas brasileiras. Nas conclusões compreendeu-se que a inclusão digital é fundamental para garantir uma educação igualitária e de qualidade e na pandemia de COVID-19 isso foi mais evidenciado, demonstrando que o acesso à tecnologia e a capacitação dos professores no uso de ferramentas digitais no ensino são importantes na construção do conhecimento.

 

Palavras-chave: Inclusão digital. Escolas públicas. Políticas públicas. Pandemia de    COVID-19

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ABSTRACT

 

The theme “Digital inclusion in Brazilian public schools: a study on access to technology and connectivity in Brazilian public schools in the last 5 years” arose from the guiding question: What are the advances, challenges and opportunities of digital inclusion in Brazilian education in recent years? 5 years? And the general objective of the research was to analyze digital inclusion in public schools in Brazil, and how access to technology and connectivity have been used to support education and learning. The research is justified by investigating digital inclusion as a tool for improving education and society as a whole. The public policies implemented during this period will be identified, as well as the main obstacles and opportunities with digital inclusion. The role of the COVID-19 pandemic in accelerating the adoption of digital technologies in education and in the implementation of digital inclusion policies will be analyzed, as well as the challenges that this change represented for Brazilian public schools. This bibliographical article presents information from 2019 to 2022, based on theorists such as Freire (1996), Schons & Santos (2022), Moreira (2022), Castells (2020) that contribute to an in-depth discussion on the theme of digital inclusion in Brazilian public schools. In the conclusions, it was understood that digital inclusion is fundamental to guarantee an egalitarian and quality education and in the COVID-19 pandemic this was more evident, demonstrating that access to technology and teacher training in the use of digital tools in teaching are essential important in building knowledge.

 

Keywords: Digital Inclusion. Public Schools. Educational Quality. COVID-19 pandemic.

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INCLUSÃO DIGITAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS BRASILEIRAS: um estudo sobre o acesso à tecnologia e conectividade nas escolas públicas brasileiras nos últimos 5 anos

 

Andrea Lopes Barroso Brito

 

 

SUMÁRIO

 

1.      INTRODUÇÃO........................................................................................................11

 

2.      METODOLOGIA....................................................................................................13

 

3.      INCLUSÃO DIGITAL:OS PRIMEIROS PASSOS.............................................15

3.1.   Inclusão digital X Teóricos da aprendizagem....................................................15

3.2.   Inclusão digital: conceito e histórico..................................................................17

3.3.   O processo gradual de implementação da inclusão digitais nas escolas............19

 

 

4.      PANORAMA DA INCLUSÃO DIGITAL NO BRASIL E A COVID-19..........24

4.1.   Programa de inclusão digital: Criação do Proinfo e Políticas públicas..............24

4.1.1.  Proinfo e os avanços na inclusão digital...........................................25

4.2.   A Covid-19 na inclusão digital: desafios e oportunidades..................................29

 

 

5.      INCLUSÃO DIGITAL NAS ESCOLAS:UMA ANÁLISE DOS RESULTADOS

DA PESQUISA........................................................................................................ 38

 

6.      CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................40

 

7.      REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................42

 

 


     1.            Introdução

 

 

A inclusão digital tem se tornado cada vez mais importante na sociedade atual, especialmente, no que diz respeito à educação. Com a crescente utilização de tecnologias na vida cotidiana e no mercado de trabalho, é essencial que os estudantes estejam preparados para lidar com essas ferramentas e sejam capazes de utilizá-las de forma eficiente. No entanto, o acesso à tecnologia e à conectividade ainda é um desafio para muitas escolas públicas brasileiras, o que pode limitar a aprendizagem dos alunos e prejudicar sua formação.

A invenção de novas tecnologias acontece frequentemente, e surgem da necessidade de o homem criar ferramentas para facilitar suas atividades diárias. As tecnologias são capazes de gerar grandes transformações sociais e acontecem desde os primórdios da humanidade até os dias atuais, com o advento das tecnologias digitais de informação e comunicação. (Schons & Santos, 2022, n.p.)

 

A inclusão digital aparece na formação dos estudantes nas escolas públicas brasileiras como instrumento de preparo para as exigências do mercado de trabalho, tendo em vista que a tecnologia já é parte integrante do mundo moderno.

Nas últimas décadas, a sociedade vem passando por um processo de transformação em relação ao surgimento de novas tecnologias, os quais tem influenciado em todas as instâncias sociais, a inserção da informatização na sociedade provoca a necessidade urgente de inclusão digital das pessoas nessa nova dinâmica de vida, e uma dessas dinâmicas é a questão da educação e a grande necessidade do uso das tecnologias, que exige uma escola com capacidade de incorporar essas novas ferramentas em seu cotidiano escolar, demonstrando assim um grande desafio para o Brasil, na obtenção do sucesso na implantação de uma escola inclusiva e capaz de alcançar todos os cidadãos.(Moreira, 2022, p.345)

No entanto, apesar dos avanços na disseminação da tecnologia, ainda há um grande desafio a ser enfrentado: a falta de acesso à tecnologia e conectividade em muitas escolas públicas brasileiras. Esse problema pode ter efeitos graves na aprendizagem dos alunos, pois, impede que eles tenham contato com ferramentas e informações que poderiam ser utilizadas em seu processo educacional.

Apesar da evolução tecnológica interferir diretamente na escola, em muitos casos não é de uma maneira positiva, pois essa parece estar alheia às mudanças que aconteceram na sociedade conectada. Muitas escolas, principalmente as escolas públicas, não dispõe de internet, nem mesmo laboratórios de informática com equipamentos de qualidade para que estudantes possam realizar pesquisas e terem aulas mais estimulantes.( Schons & Santos, 2022, n.p.)

 

Sendo assim, é fundamental que sejam adotadas medidas para ampliar o acesso à tecnologia e à conectividade nas escolas públicas brasileiras, a fim de garantir uma educação mais completa e preparar os estudantes para enfrentar os desafios do mundo moderno.

Em meio às necessidades impostas pelo contexto pandêmico, as redes pública e privada vêm, cada vez mais, desenvolvendo práticas pedagógicas de forma remota, fazendo uso da linguagem hipermídia e se apoiando no discurso da inovação. Nesse cenário, os termos educação a distância e ensino híbrido vêm sendo reiteradamente usados como parte de um discurso de inovação, visando à manutenção dos ganhos econômicos e políticos, ainda que em tempos de agudo sofrimento humano. (Joaquim & Oliveira, 2021, n.p.)

 

Nesse contexto, surge o seguinte tema “Inclusão digital nas escolas públicas brasileiras: um estudo sobre o acesso à tecnologia e conectividade nas escolas públicas brasileiras nos últimos 5 anos” norteado a partir do questionamento:  Quais os avanços, desafios e oportunidades da inclusão digital na educação brasileira nos últimos 5 (cinco) anos?  O objetivo geral da pesquisa será analisar a inclusão digital nas escolas públicas do Brasil, e como o acesso à tecnologia e a conectividade têm sido utilizadas para apoiar a educação e a aprendizagem.

A relevância da pesquisa se justifica pela importância em provocar uma reflexão sobre a inclusão digital nas escolas públicas durante os últimos 5(cinco) e que como essa ferramenta contribui para a melhoria da educação e da sociedade como um todo.

O aprofundamento da pesquisa no tema possibilita, também,  perceber as oportunidades e desafios da inclusão digital no ensino público , que serão esclarecidos nos objetivos específicos a seguir : Identificar quais políticas públicas foram implementadas para promover a inclusão digital nas escolas públicas brasileiras nos últimos cinco anos;  traçar os principais avanços, desafios e obstáculos para a inclusão digital nas escolas públicas brasileiras, incluindo questões relacionadas à infraestrutura, financiamento, formação de professores e desigualdades regionais; investigar o papel da pandemia de COVID-19 na aceleração da adoção de tecnologias digitais na educação e na implementação de políticas de inclusão digital, bem como os desafios que essa mudança representou para as escolas públicas brasileiras.

Neste artigo de caráter bibliográfico, serão apresentados informações para a comunidade acadêmica dos ano de 2019 a 2022, baseada em teóricos como Schons & Santos (2022), Moreira et al. (2022), Castells(2020), Kurtz & Nunes(2021), Jaques (2022), utilizando produções científicas de artigos, publicações e livros publicados de 2019 a 2022 que irão contribuir para uma discussão mais aprofundada sobre a temática inclusão digital nas escolas públicas brasileiras .

 

     2.            Metodologia

 

 

A metodologia desta pesquisa segundo os objetivos consistiu em uma pesquisa exploratória, devido a necessidade de um desenvolvimento, assim como, um esclarecimento de ideias nesse foco. No que diz respeito ao tipo de pesquisa segundo as fontes de informação trata-se de uma pesquisa bibliográfica no que tange ao tema inclusão digital, a conectividade e seu impacto nos últimos 5(cinco) anos, assim como uma pesquisa documental dos anos de 2019 a 2022, por meio de busca em uma ampla base de dados nacionais e relatórios que apresentam informações relevantes sobre o tema em questão.

No presente artigo no primeiro capítulo apresentou-se sobre os conceitos e importância da inclusão digital na educação para o desenvolvimento socioeconômico do país; no segundo capítulo demonstrou-se um panorama da incluso digital nos últimos 5(cinco) anos identificando quais políticas públicas foram implementadas para promover a inclusão digital nas escolas públicas e o impacto da pandemia de Covid-19 no ensino; no terceiro e  último capítulo ilustrou-se os resultados e desafios  da inclusão digital no Brasil, incluindo questões relacionadas à infraestrutura, financiamento, formação de professores e desigualdades regionais.

Por fim, os resultados da pesquisa bibliográfica e análise de dados serão integrados de forma conjunta, permitindo uma visão abrangente e profunda da situação atual da inclusão digital nas escolas públicas brasileiras. Com isso, espera-se contribuir para o debate sobre políticas públicas para a educação e para a inclusão digital no Brasil.

 

 

     3.            Inclusão Digital: Os Primeiros Passos

 

   3.1.         Inclusão Digital x Teóricos da Aprendizagem

 

Ao longo das últimas décadas, a tecnologia vem transformando diversos aspectos da sociedade, incluindo a educação. Nesse contexto, a inclusão digital tem sido apontada como um importante desafio para garantir que todos os indivíduos possam acessar e utilizar as tecnologias de forma crítica e reflexiva. A abordagem sociocultural de Vygotsky oferece importantes contribuições para compreender como a tecnologia pode ser mediada para promover a inclusão digital na educação,

Vygotsky foi um importante teórico do desenvolvimento humano e sua teoria tem sido frequentemente aplicada à educação, incluindo o uso de tecnologias digitais para apoiar o aprendizado. Uma das principais contribuições de Vygotsky foi a ideia de que o aprendizado ocorre por meio da interação social e da linguagem. Ele enfatizou a importância da mediação em todo o processo de aprendizado, que pode ser feita por meio de outras pessoas ou de ferramentas como tecnologias digitais.

O uso das tecnologias digitais pode ser uma ferramenta poderosa na educação, permitindo que os alunos desenvolvam suas habilidades cognitivas de forma mais efetiva e em colaboração com seus colegas. Dentro da perspectiva de Vygotsky, a inclusão digital pode ser vista como um meio para a construção do conhecimento, à medida que os alunos interagem e se envolvem em atividades conjuntas em um ambiente virtual. (Carvalho & Magalhães., 2020, p. 20).

 

Vygotsky, também, enfatizou a importância da zona de desenvolvimento proximal (ZDP), que é a diferença entre o que uma pessoa é capaz de fazer independentemente e o que ela pode alcançar com a ajuda de um parceiro mais experiente ou de ferramentas de apoio. Isso tem sido aplicado no uso de tecnologias digitais na educação para ajudar os alunos a alcançar um nível mais avançado de aprendizado.

Para Vygotsky, a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é um conceito central para entender como ocorre o processo de aprendizagem. Segundo o autor, a ZDP é a distância entre o nível de desenvolvimento real do aluno e o nível de desenvolvimento potencial, que pode ser alcançado com a ajuda de um mediador mais experiente. No contexto do uso de tecnologias digitais na educação, a ZDP pode ser considerada como uma área na qual o aluno é capaz de realizar atividades com a ajuda de um mediador, que pode ser um professor, um tutor ou mesmo um software educacional (Carvalho & Magalhães, 2020, p. 143).

 

Além disso, Vygotsky enfatizou que a aprendizagem deve ser significativa e relacionada às experiências e conhecimentos prévios dos alunos. Isso tem sido aplicado em abordagens de aprendizado baseadas em tecnologia que personalizam o aprendizado para atender às necessidades e interesses dos alunos.

Outro teórico com destaque na aprendizagem foi Paulo Freire, que apesar de não ter tido a oportunidade de falar especificamente sobre inclusão digital, uma vez que esse tema se tornou relevante somente após sua morte em 1997 sua obra pode ser relacionada a questões que envolvem a inclusão digital na educação.

 Freire traz a perspectiva de uma educação libertadora que defendia a ideia de uma educação libertadora, que propiciasse o desenvolvimento crítico e reflexivo dos indivíduos, e que contribuísse para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Nesse sentido, a inclusão digital pode ser vista como uma ferramenta para ampliar o acesso à informação e ao conhecimento, favorecendo a participação ativa dos indivíduos na sociedade. Com aponta Machado (2021, p.35)

 

Paulo Freire defende que a educação é um processo de construção coletiva do conhecimento, em que o diálogo é fundamental. Nesse sentido, as tecnologias digitais podem ser utilizadas como ferramentas para a inclusão digital e para o desenvolvimento de uma educação crítica e reflexiva.

Além disso, Freire valorizava o diálogo e a troca de saberes como elementos fundamentais para o processo de aprendizagem. Assim, o uso das tecnologias digitais pode contribuir para a promoção de uma educação mais colaborativa, na qual alunos e professores possam compartilhar experiências e conhecimentos, ampliando suas perspectivas e construindo novas formas de conhecimento

 

   3.2.         Inclusão digital: conceito e histórico

 

A inclusão digital é um termo que se refere ao acesso equitativo e justo às tecnologias de informação e comunicação (TICs), como computadores, internet e dispositivos móveis, bem como a habilidade de utilizá-las de forma efetiva. A inclusão digital busca garantir que todos os indivíduos, independentemente de sua localização geográfica, idade, gênero, nível socioeconômico, habilidade ou deficiência, tenham acesso e habilidades para usar as TICs, como aponta Castells (2020, p. 243) “A inclusão digital é a condição prévia para a inclusão social em uma economia baseada no conhecimento. Aqueles que são excluídos do acesso às tecnologias digitais estão destinados a ficar à margem da sociedade".

Para Schons & Santos (2022, p.36) compreende-se que as pessoas que não possuem acesso a aparelhos digitais com disponibilidade de internet de qualidade sofrem com a exclusão digital, exclusão essa, que atinge principalmente as classes mais carentes da população. A inclusão digital é importante porque as TICs se tornaram uma parte integral de nossas vidas, desde a comunicação até a educação, trabalho, saúde e entretenimento. A falta de acesso ou habilidades em tecnologia pode levar à exclusão social e econômica, bem como à desigualdade de oportunidades.

Entretanto, não se pode aceitar com naturalidade o processo de exclusão em qualquer esfera, seja ela educacional, econômica, política ou social. É necessário que políticas públicas sejam efetivas e desenvolvam programas de inclusão digital, para garantir que todas as pessoas tenham acesso à internet, considerando que a falta de conectividade aumenta a desigualdade social. (Schons & Santos, 2022, p.3612)

 

A inclusão digital pode melhorar a qualidade de vida das pessoas, aumentar sua participação na sociedade e permitir que elas se tornem cidadãos mais informados e envolvidos. Existem várias iniciativas para promover a inclusão digital, como a disponibilização de infraestrutura de TICs em áreas rurais, a oferta de treinamentos em tecnologia para grupos marginalizados, como idosos e pessoas com deficiência, e a criação de programas de inclusão digital nas escolas. A UNESCO (2019, p.9) afirma que “"O acesso à internet é a espinha dorsal para a inclusão digital e um direito fundamental para o desenvolvimento humano no século XXI".

A inclusão digital nas escolas foi gradual e ocorreu ao longo dos últimos anos, principalmente, com o avanço da tecnologia e o aumento do acesso à internet em todo o mundo No entanto, pode-se destacar que a inclusão digital nas escolas começou a ser discutida na década de 1990, quando a tecnologia da informação e comunicação começou a se popularizar. Desde então, governos e organizações em todo o mundo têm trabalhado para levar o acesso à tecnologia e à internet para as escolas, com o objetivo de promover a igualdade de oportunidades e melhorar a qualidade da educação. Para Souza & Lima (2021, p.157) "A inclusão digital nas escolas teve início em diversos países, com diferentes iniciativas e estratégias. Não é possível atribuir a uma única pessoa ou instituição a responsabilidade pelo surgimento dessa prática."

Inicialmente, a inclusão digital nas escolas foi vista como um luxo, acessível apenas para algumas instituições de ensino com maiores recursos financeiros. No entanto, com o passar do tempo, a inclusão digital tornou-se uma necessidade em todas as escolas, tanto públicas quanto privadas.

A inclusão digital na educação é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, pois garante o acesso à informação, ao conhecimento e às tecnologias que são cada vez mais presentes no mundo contemporâneo. Além disso, a inclusão digital nas escolas é importante para que os alunos desenvolvam habilidades e competências que serão necessárias para sua vida pessoal, profissional e social, tais como a capacidade de buscar informações, trabalhar em equipe, resolver problemas complexos e utilizar as tecnologias de forma crítica e responsável." (Amorim, 2021, p. 10)

 

A inclusão digital na educação é uma ferramenta poderosa para reduzir as desigualdades sociais, democratizar o acesso ao conhecimento e preparar os estudantes para enfrentar os desafios da sociedade do conhecimento. A falta de acesso à tecnologia pode impedir que os alunos sejam capazes de adquirir habilidades importantes para a vida pessoal, profissional e social, além de limitar suas oportunidades educacionais e profissionais no futuro. Portanto, é importante que as escolas públicas se esforcem para oferecer recursos tecnológicos e treinamento adequado para que todos os alunos possam se beneficiar da inclusão digital na educação.

 

   3.3.         O Processo gradual de implementação da inclusão digital nas escolas

 

Nas escolas a inclusão digital começou a se tornar uma preocupação nos anos 90, à medida que a TIC se tornou cada vez mais importante para a sociedade como um todo. No entanto, o processo de implementação da inclusão digital nas escolas foi gradual e variou de país para país.

 A inclusão digital pode ser vista como uma forma de fornecer aos alunos as ferramentas necessárias para navegar na sociedade digital e compreender como a tecnologia pode ser usada para moldar as relações de poder, como afirma Freire (1996, p. 89) "A escola tem que ser um espaço onde se construa a cidadania, que implica, entre outras coisas, saber usar. a tecnologia. Não há como pensar a escola alheia à tecnologia. É a escola que tem que se ajustar à tecnologia e não o contrário”.

A partir da implementação da inclusão digital nas escolas na década de 90, em países, como os Estados Unidos e a Finlândia, se iniciou o uso dos computadores nas escolas, e em sequência a instalação de laboratórios de informática e a inclusão de aulas de informática no currículo escolar

Em alguns países, como os Estados Unidos, a inclusão digital na educação começou a ser implementada em meados da década de 1980, com a instalação de laboratórios de informática nas escolas. Na Finlândia, por sua vez, cada dois estudantes já tinham acesso a um computador nos anos 1990. Na Inglaterra, a introdução dos primeiros computadores nas escolas ocorreu na década de 1980, mas inicialmente apenas para fins administrativos. Foi somente na década de 1990 que o uso dos computadores se expandiu para fins educacionais. (Lima & Camargo, 2021, p. 35).

 

No Brasil, apenas na década de 2000, devido a popularização da internet e a queda nos preços dos computadores, a inclusão digital nas escolas começou a se expandir com a criação de programas governamentais como o Proinfo.

A inclusão digital nas escolas é uma necessidade cada vez mais urgente na sociedade contemporânea, em que a tecnologia desempenha um papel cada vez mais importante em todos os setores da vida. As escolas têm a responsabilidade de preparar os alunos para o mundo digital e fornecer-lhes as habilidades necessárias para navegar e utilizar as tecnologias de forma segura e eficaz. (Rodrigues et al., 2020)

 

Outras políticas de inclusão digital foram disseminadas pelo país como afirma Araujo & Oliveira (2020, n.p.) que discutem a importância das políticas de inclusão digital nas escolas públicas brasileiras, destacando a iniciativa do governo federal em 2010 com o programa 'Um Computador por Aluno' (UCA), que buscava levar laptops para estudantes de escolas públicas. Além disso, os autores também mencionam o programa 'Educação Conectada', que visa promover a inclusão digital nas escolas por meio da infraestrutura de conectividade e dispositivos eletrônicos.

As escolas passaram a adotar diversas iniciativas para integrar as tecnologias digitais em sua rotina. Muitas escolas criaram salas de aula virtuais, nas quais os alunos podem acessar materiais de estudo e interagir com os professores por meio da internet. Também, surgiram aplicativos educacionais e jogos digitais que ajudam a tornar o aprendizado mais atrativo e interativo.

Algumas políticas públicas de inclusão digital no Brasil não foram eficientes, como destaca Souza et al (2019, p.168) “As políticas de inclusão digital adotadas no Brasil apresentam problemas em sua implementação, o que tem gerado dificuldades para a promoção do acesso à internet e ao uso de tecnologias digitais por parte da população". Para Borges & Soares (2021, p.82) “os programas de inclusão digital no Brasil muitas vezes são implementados sem a devida avaliação de seus resultados, o que dificulta o aprimoramento das políticas públicas nessa área".

Para Kurtz e Nunes (2021, p.11) as políticas públicas sobre a inclusão digital os programas implementados eram ligados ao Ministério da Educação, e a trajetória desses programas são elencados na linha do tempo a seguir:

Figura 1- Linha do tempo de Políticas públicas de inclusão digital na educação

            Fonte: Kurtz & Nunes, 2021, p.11

 

Na pesquisa o Proinfo tem destaque por ter sido o ponto inicial da inclusão digital no país. com o objetivo de promover o uso pedagógico da informática na rede pública de ensino fundamental e médio no Brasil.

O ProInfo foi criado em 1997 e consiste em um esforço para a promoção do uso da tecnologia como ferramenta pedagógica no ensino básico. Teve como precursor o Programa Nacional de Informática Educativa (PRONINFE), criado em 1989 com o objetivo de tornar a escola o ponto de contato de alunos e educadores com equipamentos informáticos, por meio do fornecimento de infraestrutura. (Dinarte, 2016, p.93 citado por Kurtz & Nunes, 2021, p.12)

 

Além disso, muitos projetos foram descontinuados ou não tiveram continuidade, o que prejudicou ainda mais o alcance dos objetivos propostos.

Percebe-se uma diversidade de programas paralelos voltados a aspectos da inclusão digital na educação. A ausência de uma abordagem integrada e concreta, que define o sentido desejado para as políticas de inclusão digital, mostra que há interesses variados em questão. A efetivação desses direitos envolve aquisição de equipamentos, capacitação de pessoal, infraestrutura em grande e em pequena escalas, articulação e coordenação de esforços entre entes públicos e privados. Ainda assim, o que se vê é descontinuidade e instabilidade nas iniciativas, que podem ter objetivos similares, mas funcionam com gestão e verbas distintas, ou podem ser revogadas e descontinuadas de acordo com a conjuntura governamental. (Kurtz & Nunes, 2021, p.14)

 

Dentre essas políticas públicas que não tiveram os resultados esperados temos os telecentros - criados em 2004, ofereciam acesso à internet e treinamento em tecnologia para comunidades carentes, mas a iniciativa enfrentou problemas de manutenção e falta de atualização tecnológica; o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) - criado em 2010, teve como objetivo levar conexão de alta velocidade para áreas rurais e remotas do país, mas foi criticado por falta de investimento e falta de fiscalização; e o Tablet Educacional - iniciativa do Governo Federal que distribuiu tablets para escolas públicas em todo o país, mas enfrentou problemas de falta de infraestrutura e capacitação de professores para uso da tecnologia. Para Nascimento & Silva (2020, p.54) as políticas de inclusão digital no Brasil ainda têm muito a avançar, visto que muitas iniciativas falharam em atingir seus objetivos, seja pela falta de investimento, planejamento inadequado ou problema de gestão.

Para Kurtz e Nunes (2021, p.14) “Isso levanta questões sobre quais definições de inclusão digital estão em disputa na educação brasileira e qual o comprometimento das instituições com a democratização do uso dos meios digitais, especialmente no contexto atual de pandemia de Covid-19.”, e são questões relevantes que iremos abordar nos próximos capítulos.

     4.            Panorama da Inclusão Digital no Brasil e a Covid-19

   4.1.         Programas de Inclusão Digital: Criação do Proinfo e Políticas Públicas

 

A implementação das leis que contribuíram para a inclusão digital nas escolas no Brasil ocorreu ao longo das últimas décadas, a partir da década de 1990. Dentre as leis que contribuíram para esse processo, podemos citar: a ei nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e prevê a incorporação de tecnologias da informação e comunicação no ensino, foi promulgada em 20 de dezembro de 1996. Já a lei nº 10.172/01, que define o Plano Nacional de Educação e estabelece metas para o uso da tecnologia na educação, foi sancionada em 9 de janeiro de 2001.A lei nº 11.114/05, que institui o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem), foi sancionada em 16 de maio de 2005.

O Projovem abarca, entre diversas iniciativas para a inclusão social de jovens, a inclusão digital como forma de incrementar o potencial comunicativo e produtivo de jovens cidadãos. Em 2008, com a setorização do programa, o Projovem Urbano voltou-se à inclusão digital em duas frentes: o contato dos estudantes com aplicativos de uso comum e o uso dessas ferramentas para potencializar o aprendizado de conteúdos discutidos em sala de aula. (Brasil, 2012, p.106)

 

Vale ressaltar que essas leis foram sendo implementadas gradualmente, de acordo com a disponibilidade de recursos e a capacidade das instituições de ensino em adotar as tecnologias da informação e comunicação em suas práticas educativas.

Ao longo dos anos, o Brasil tem se esforçado para promover a inclusão digital em todo o país. Várias políticas públicas e leis foram criadas com o objetivo de aumentar o acesso à tecnologia e reduzir a exclusão digital, como o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), a Lei de Acesso à Informação e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A implementação dessas leis e políticas tem sido essencial para garantir o acesso à tecnologia e à informação para todos os cidadãos brasileiros, independentemente de sua localização geográfica ou condição social." (Moraes, 2020, p. 33).

 

O Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo), por exemplo, foi criado em 1997, com a  Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, e foi sendo ampliado e aprimorado ao longo dos anos, com a incorporação de novas tecnologias e a oferta de formação para professores, como será evidenciado no subcapítulo a seguir.

 

4.1.1.Proinfo e os avanços na inclusão digital

 

O ProInfo foi um dos principais programas responsáveis por impulsionar a inclusão digital nas escolas brasileiras, principalmente na rede pública de ensino. O programa foi criado em 1997 com o objetivo de promover o uso das tecnologias de informação e comunicação na educação, e desde então tem oferecido equipamentos, recursos e formação para professores e alunos, contribuindo para a modernização das práticas pedagógicas e a inclusão digital.

O ProInfo tem sido um importante programa para a inclusão digital nas escolas brasileiras, tendo contribuído para a modernização das práticas pedagógicas, a melhoria da qualidade do ensino, a promoção da inclusão digital e a democratização do acesso às tecnologias de informação e comunicação. Além disso, o programa tem estimulado o desenvolvimento de outras iniciativas e programas voltados para a inclusão digital, contribuindo para a transformação da educação brasileira." (Melo & Silva, 2020, p. 67).

 

Além disso, o ProInfo, também, estimulou o desenvolvimento de outros programas e iniciativas voltados para a inclusão digital nas escolas, como o Programa Um Computador por Aluno (UCA), que distribuiu laptops para alunos e professores da rede pública, e o Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado), que oferece formação para os professores para o uso pedagógico das tecnologias digitais.

O ProInfo tem sido uma importante iniciativa para a inclusão digital nas escolas públicas brasileiras. O programa tem promovido a ampliação do acesso à tecnologia educacional, por meio da distribuição de computadores, notebooks e tablets para as escolas, e a formação de professores para o uso pedagógico das TIC. Além disso, o programa tem incentivado o desenvolvimento de projetos como o Programa Nacional do Livro e do Material Didático Digital, que disponibiliza livros didáticos em formato digital, o Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional, que oferece cursos de formação para os professores, e o Programa Nacional de Conectividade nas Escolas, que visa garantir a infraestrutura de tecnologia e acesso à internet nas escolas públicas. Esses programas têm contribuído para o desenvolvimento de habilidades digitais entre os estudantes e para a melhoria da qualidade do ensino, possibilitando uma educação mais inclusiva, participativa e colaborativa." (Souza, 2019, p. 28)

 

Portanto, é possível afirmar que o ProInfo teve um papel fundamental na promoção da inclusão digital nas escolas brasileiras, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades digitais entre os estudantes e para a melhoria da qualidade do ensino, possibilitando uma educação mais inclusiva, participativa e colaborativa e para a democratização do acesso às tecnologias de informação e comunicação.

A partir de 2019, diversas iniciativas foram implementadas em todo o país visando promover a inclusão digital nas escolas. Uma das principais foi o programa Educação Conectada, lançado pelo Ministério da Educação em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. O objetivo do programa é garantir o acesso à internet de alta velocidade e a dispositivos eletrônicos nas escolas públicas, além de promover a formação de professores para o uso pedagógico das tecnologias digitais. Segundo Silva (2021, p.161 ), “a inclusão digital nas escolas tornou-se fundamental diante da evolução da tecnologia e da crescente importância da informação e comunicação no mundo atual", destacando que a partir de 2019 diversas iniciativas foram implementadas no Brasil visando promover a inclusão digital nas escolas, mas ressalta que ainda há muitos desafios a serem enfrentados, como a desigualdade no acesso à internet e aos dispositivos eletrônicos.

Outra iniciativa importante para o avanço da inclusão digital no país foi a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que incluiu a competência digital como uma das dez competências gerais que os estudantes devem desenvolver ao longo da educação básica. Isso significa que a inclusão digital deixou de ser vista como um assunto secundário e passou a fazer parte do currículo oficial das escolas. Para Santos (2020, n.p.)

 

A implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi uma iniciativa importante para promover a inclusão digital nas escolas, uma vez que incluiu a competência digital como uma das dez competências gerais que os estudantes devem desenvolver ao longo da educação básica. Isso significa que a inclusão digital deixou de ser vista como um assunto secundário e passou a fazer parte do currículo oficial das escolas.

A BNCC é um marco na história da educação brasileira, uma vez que estabelece diretrizes comuns para a educação básica em todo o país. A inclusão da competência digital como uma das dez competências gerais da BNCC foi uma iniciativa importante para promover a inclusão digital nas escolas, pois reconhece a importância da tecnologia na sociedade contemporânea e estabelece como objetivo que os estudantes desenvolvam habilidades para utilizar as tecnologias digitais de forma crítica, reflexiva e responsável, tanto na vida pessoal quanto profissional. (Freitas, 2019, p. 24)

 

O Brasil conta com algumas leis voltadas para a inclusão digital, como a Lei de Informática e a Lei de Acesso à Informação. No entanto, um dos principais desafios é a falta de efetividade dessas leis e políticas públicas na prática, especialmente em regiões mais remotas e com menos recursos.

Um ponto de destaque nesse cenário, que pode corroborar essa intermitência e dependência contextual das políticas, é o fato de muitas serem instituídas por decreto, isto é, sua manutenção ou não depende apenas do ato do chefe do Executivo. A forma de elaboração desse tipo de regulação também é precária, pois não tramita pelo mesmo processo que normas aprovadas pelo Legislativo, as quais passam por maior crivo da sociedade civil e exigem diálogo e reflexão na construção. (Kurtz & Nunes, 2021, p.14).

 

A inclusão digital é um tema de grande importância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil, e a implementação de políticas públicas e leis específicas para garantir o acesso à tecnologia e à internet é um passo importante para a efetivação desse processo. No entanto, a simples criação de leis não é suficiente para garantir a inclusão digital em todo o país. Como afirma Kurtz e Nunes (2021, p.15)

Percebe-se uma diversidade de programas paralelos voltados a aspectos da inclusão digital na educação. A ausência de uma abordagem integrada e concreta, que define o sentido desejado para as políticas de inclusão digital, mostra que há interesses variados em questão. A efetivação desses direitos envolve aquisição de equipamentos, capacitação de pessoal, infraestrutura em grande e em pequena escalas, articulação e coordenação de esforços entre entes públicos e privados. Ainda assim, o que se vê é descontinuidade e instabilidade nas iniciativas, que podem ter objetivos similares, mas funcionam com gestão e verbas distintas, ou podem ser revogadas e descontinuadas de acordo com a conjuntura governamental.

 

É necessário um esforço conjunto do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil para garantir que essas leis sejam efetivamente implementadas e que seus benefícios cheguem às comunidades mais vulneráveis. Além disso, é preciso garantir que as leis e políticas sejam atualizadas de forma a acompanhar as mudanças tecnológicas e as novas demandas da sociedade. A efetivação da inclusão digital depende, portanto, de um comprometimento contínuo e de uma constante revisão das políticas e leis que regem esse processo.

 

4.2. A Covid-19 na Inclusão Digital: Desafios e Oportunidades

 

A pandemia da COVID-19 transformou profundamente a forma como as pessoas vivem, trabalham e se relacionam. Nesse contexto, a inclusão digital se tornou ainda mais importante, uma vez que a internet se tornou uma ferramenta fundamental para manter as atividades diárias em andamento. Segundo Sampaio et al. (2020. n.p.)

a pandemia da COVID-19 evidenciou a importância da inclusão digital para a manutenção das atividades cotidianas e destacou a necessidade de políticas públicas efetivas para garantir o acesso à internet a todos os brasileiros. De acordo com os autores, a pandemia também evidenciou a necessidade de investimentos em infraestrutura de telecomunicações para ampliar o acesso à internet em áreas remotas e rurais do país.

 

Apesar dos desafios, a pandemia da COVID-19, também, abriu novas oportunidades para a inclusão digital no Brasil. Com a necessidade de distanciamento social, muitas empresas, escolas e órgãos governamentais passaram a oferecer serviços online, o que aumentou a demanda por conexões de internet mais rápidas e confiáveis. Além disso, a pandemia impulsionou o desenvolvimento de novas tecnologias e soluções para ampliar o acesso à internet em áreas remotas e rurais, como redes de fibra óptica, satélites e torres de celular.

Nesse contexto, tudo freou e parou, mas algo acelerou: as tecnologias da informação e comunicação (TICs). Essas ferramentas já eram utilizadas antes da pandemia, mas se tornaram essenciais, como uma necessidade emergencial para que a vida continuasse e se reconfigurasse em meio a pandemia. As relações virtuais se intensificaram para que se desse continuidade nas relações sociais, como o ensino nas Escolas. O ensino deveria ser realizado agora de forma remota. (Jaques, 2022, p.13)

 

Mesmo com todos os ganhos e avanços na educação, a pandemia de Covid-19 exacerbou as desigualdades sociais e digitais no Brasil, como aponta Kurtz e Nunes (2021, p.18)

Em alguns contextos as iniciativas avançam, tornando propício que as novas oportunidades sejam melhor aproveitadas. Nos contextos de exclusão, contudo, os envolvidos estão cada vez mais distantes da sistemática das estratégias digitais, e com cada vez menos condições de implementar com sucesso as políticas.

 

Muitas pessoas não têm acesso à internet ou possuem conexões lentas e instáveis, o que dificulta o acesso a serviços básicos, como educação, saúde e trabalho remoto. Além disso, a falta de infraestrutura de telecomunicações em áreas remotas e rurais também se tornou um grande desafio para a inclusão digital durante a pandemia. Segundo dados do IBGE, em 2019, cerca de 30% dos domicílios no país não possuíam acesso à internet.

Perante as já frágeis iniciativas de inclusão digital, a pandemia fortaleceu as desigualdades. O tratamento dado a essa questão no Brasil sofre com a descontinuidade das políticas através do tempo e também do espaço. Via de regra, elas não consideram em suas propostas e estratégias as diferenças entre grandes centros urbanos e cidades de menor porte ou locais predominantemente rurais, entre localidades com grande concentração de riqueza e periferias sem acesso a condições materiais básicas. (Kurtz & Nunes, 2021, p.18)

 

A pandemia da COVID-19 trouxe diversos desafios para a sociedade, e um deles foi a necessidade de adaptação para as atividades online. Com as escolas fechadas e o trabalho remoto sendo adotado, a inclusão digital se tornou ainda mais importante. No entanto, a realidade é que o Brasil ainda enfrenta muitos problemas nesse sentido. De acordo com Souza (2020, p.4)

O acesso à internet tem sido um fator determinante para a continuidade do ensino durante a pandemia de Covid-19, uma vez que muitas escolas adotaram o ensino remoto como alternativa ao ensino presencial. No entanto, a falta de acesso à internet e de equipamentos adequados tem sido um desafio para muitos estudantes, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social.

 

A pandemia da COVID-19 fortaleceu a importância da inclusão digital como ferramenta para manter as atividades cotidianas em andamento durante momentos de crise. Os desafios enfrentados durante a pandemia mostraram que ainda há muito a ser feito para ampliar o acesso à internet no Brasil, especialmente em áreas remotas e rurais.

Os problemas retratados frente ao cenário de pandemia e os desafios apresentados a políticas de inclusão digital voltadas para educação não são emergentes apenas da pandemia. A demanda por uma migração repentina para ensino à distância deixa em destaque lacunas, insuficiências e pontos falhos já existentes na dinâmica de concepção e de implementação dessas iniciativas. (Kurtz & Nunes 2021, p.14)

 

Com a pandemia de COVID-19, a conectividade tornou-se ainda mais importante, já que muitas pessoas tiveram que trabalhar, estudar e se socializar remotamente. Infelizmente, a conectividade durante a pandemia de COVID-19 não foi igual para todos. Algumas pessoas e comunidades enfrentaram mais desafios do que outras em relação ao acesso à internet e tecnologia, como mostra o quadro a seguir:

 

Figura 2    – Indice de Privação on-line e os perfis dos usuários. Ano 2021

 

Fonte: Jaques, 2022, p.17

 

No quadro observamos a desigualdade digital que mostra a disparidade no acesso e uso da tecnologia em decorrência de fatores como idade, gênero, etnia e status socioeconômico., mostrando que a conectividade durante a pandemia não foi igual para todos, com algumas pessoas e comunidades enfrentando mais barreiras do que outras.

Um dos principais problemas causados pela disparidade é a falta de infraestrutura tecnológica adequada, tanto nas escolas quanto nas casas dos alunos. Muitas escolas públicas não possuem acesso à internet de qualidade, computadores em quantidade suficiente ou tecnologia adequada para as atividades remotas. Além disso, muitos alunos não possuem computadores em casa, ou possuem apenas celulares, o que dificulta a realização de atividades mais complexas. No gráfico a seguir compreende-se a disponibilidade de dispositivos dos alunos de escolas públicas para realizarem as atividades em 2019:

 

Figura 3: Alunos de escolas urbanas públicas por dispositivos utilizados para acessar a internet. Ano 2019

Fonte: Jaques, 2022, p.18

 

Com base nos dados da pesquisa apresentados no gráfico, pode-se constatar que os alunos de escolas urbanas públicas no Brasil acessavam a internet predominantemente por meio de dispositivos móveis, como smartphones e tablets. Isso pode estar relacionado ao fato de que muitas famílias não possuem computadores ou notebooks em casa, o que pode limitar o acesso à internet por esses dispositivos. Esses problemas podem afetar negativamente o aprendizado dos alunos, especialmente durante atividades que exigem a disponibilidade de dispositivos e um bom desempenho da internet. Para mitigar esses impactos negativos, muitas escolas e governos implementaram iniciativas para fornecer dispositivos eletrônicos e acesso à internet para alunos que precisam. No entanto, mesmo com esses esforços, muitos alunos ainda enfrentam dificuldades significativas para acessar a tecnologia necessária para participar plenamente do ensino remoto durante a pandemia.

Para Jaques (2022, p.24 ) “Para pensarmos nas desigualdades educacionais das escolas públicas que precedem a quarentena e se agravaram com ela, contexto atual que desmascarou uma desigualdade que não era vista, ou melhor era ignorada na educação..” a pandemia de COVID-19 agravou as desigualdades existentes em muitos aspectos da sociedade, incluindo na área da saúde, economia e educação. Isso porque a pandemia afetou de maneira diferente as pessoas e comunidades que já estavam em situação de vulnerabilidade e desvantagem. O gráfico a seguir demonstra a desigualdade no acesso a internet em 2019 por classe social e região:

 

Figura 4- – Usuários de internet no Brasil: total e classe social-2017-2019

 

Fonte: Marcon, 2020, p. 82

 

Percebe-se com os dados acima que as pessoas de baixa renda, principalmente, os grupos mais vulneráveis como os idosos, negros e outras minorias étnicas, trabalhadores informais e aqueles que vivem em áreas rurais ou remotas, foram mais afetados pela pandemia. Esses grupos enfrentaram desafios adicionais para acessar serviços de saúde, proteger-se do vírus e manter suas atividades econômicas e educacionais.

Outro problema é a falta de capacitação dos professores para o uso adequado das tecnologias na educação. Muitos professores não estão preparados para o ensino remoto, o que pode prejudicar a qualidade do ensino e a aprendizagem dos alunos, para Marcon (2020, p. 96)” Entendemos que a formação inicial de professores não pode e não tem mais como deixar as tecnologias afastadas do currículo, como se fossem recursos extraclasse”. A inclusão digital e a formação do professor são aspectos interdependentes no contexto da educação atual. A inclusão digital se refere ao acesso a tecnologias e habilidades digitais que permitem a participação plena na sociedade atual. A formação do professor, por sua vez, refere-se ao desenvolvimento das habilidades e competências necessárias para os educadores ensinarem efetivamente em ambientes que utilizam tecnologia.

Pensar nos processos educativos por um viés comunicacional implica considerar a apropriação das tecnologias digitais de rede na formação inicial de educadores. Se precisamos de docentes qualificados e preparados para atuar em um contexto que é plástico, flexível e que se molda com facilidade às inúmeras transformações sociais, precisamos preparar esses docentes para vivenciarem e imergirem nessa cultura que se apresenta.(Marcon, 2020, p.93)

 

Portanto, a inclusão digital e a formação do professor são essenciais para garantir que todos os alunos tenham igualdade de oportunidades e que recebam a educação necessária para ter sucesso na sociedade digital em que vivemos hoje. É importante que as instituições de ensino forneçam suporte e recursos adequados para ajudar os professores a desenvolver suas habilidades digitais e ensinar de maneira eficaz em ambientes digitais.

Outro ponto a ser compreendido é a falta de uma política pública consistente e efetiva para a inclusão digital. Embora existam leis e programas governamentais para a inclusão digital, muitas vezes eles são mal executados ou insuficientes para atender às demandas da sociedade.

Atualmente, a inclusão digital no Brasil ainda apresenta desafios e desigualdades, especialmente no que se refere ao acesso à internet e às tecnologias de informação e comunicação. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE, em 2020 cerca de 46,5% dos domicílios brasileiros tinham acesso à internet e 71,7% das pessoas com mais de 10 anos usavam a internet pelo menos uma vez na semana. Nas escolas percebe-se as desigualdades quanto ao acesso à internet, em que a diferença acontece nas escolas particulares e nas públicas e se situadas nas áreas rurais essa desigualdade aumenta mais de 50% no caso das públicas, como mostra o quando a seguir:

 

Quadro 01- Percentual de escolas com internet

 

Fonte: Moreira et al., 2019, p.8

 

No entanto, há uma grande diferença entre as regiões do país e entre os vários grupos sociais. Enquanto em 2019 nas regiões Sudeste e Sul a proporção de domicílios com acesso à internet é superior a 70%, nas regiões Norte e Nordeste essa proporção é inferior a 60%. Além disso, o acesso à internet é menor entre as pessoas de baixa renda, com menor escolaridade e residentes em áreas rurais.

A utilização da banda larga é um ponto a ser considerado na inclusão digital, pois permite que as pessoas tenham acesso à internet de alta velocidade e qualidade, o que é fundamental para acessar serviços online, participar de redes sociais, realizar transações bancárias, estudar à distância, trabalhar em casa e muitas outras atividades que exigem conexão de internet de qualidade. Moreira et al. (2019, p.09)

 

O acesso à internet por Banda Larga é uma medida essencial nas políticas de inclusão digital, porém, outros fatores devem ser considerados: o tempo disponível e a qualidade do acesso afetam decisivamente o uso da internet; as TDIC são muito dinâmicas e requerem constantes atualizações de hardwares e softwares e um investimento regular na modernização dos sistemas de acesso, evitando-se sua rápida obsolescência.

Além disso, a banda larga permite que pessoas de regiões remotas e rurais, também, tenham acesso aos mesmos serviços online que pessoas nas grandes cidades, contribuindo para a redução das desigualdades regionais e sociais. Isso é particularmente importante em um país tão extenso e diverso quanto o Brasil, onde muitas pessoas vivem em áreas rurais ou isoladas e têm dificuldade de acesso aos serviços mais básicos, como mostra o quadro a seguir:

Quadro 02. Conexão e velocidade da internet

Fonte: Moreira et al., 2019, p.9

 

 Por fim, a banda larga é importante para a inclusão digital porque permite que as pessoas participem mais ativamente da sociedade, expressando suas opiniões e ideias, recebendo e compartilhando informações, e participando de debates e discussões importantes para o desenvolvimento do país.

 

     5.            Inclusão Digital nas Escolas: uma Análise dos Resultados da Pesquisa

 

A pesquisa traz análise de autores que traçam uma linha do tempo com a trajetória da inclusão digital nas escolas a partir da década de 90, onde os computadores foram utilizados para fins educacionais como aponta Lima e Camargo (2021). A partir desse momento entende-se que a tecnologia e a conectividade têm sido utilizadas de forma ampla nas escolas públicas como instrumento de melhoria da educação. Para Santos (2022) e Freitas (2019)  é  com o início da implementação das políticas públicas nas escolas públicas pelo governo federal , que lançou o ProInfo, com o objetivo levar tecnologia para as escolas públicas e capacitar os professores para o uso das novas ferramentas., ainda  muitas escolas enfrentam dificuldades para garantir o acesso à internet e para integrar as tecnologias de informação e comunicação nas práticas pedagógicas.

Além disso, a pandemia de COVID-19 evidenciou a necessidade de se investir em infraestrutura e formação de professores para o uso de tecnologias digitais no ensino a distância.

Apesar dos avanços proporcionados por iniciativas governamentais e privadas, ainda há muitos desafios a serem enfrentados para a promoção da inclusão digital no Brasil. A pandemia de COVID-19 evidenciou a necessidade de se investir em infraestrutura e formação de professores para o uso de tecnologias digitais no ensino a distância, especialmente nas regiões e comunidades mais vulneráveis. Além disso, é preciso garantir o acesso à internet e aos equipamentos de tecnologia para todos os brasileiros, independente da região, classe social ou condição econômica." (Kaminski & Silva, 2021, p. 569).

 

A pandemia acelerou a tecnologia da informação como afirma Sampaio et al. (2020), mas em contrapartida para Kurtz e Nunes (2021) houve um aumento considerável das desigualdades sociais.

Os resultados a partir do levantamento documental e da pesquisa bibliográfica nos aponta que a inclusão digital nas escolas públicas ainda é um desafio em muitos lugares. A conectividade à internet não é igual em toda a população. Jaques (2022) apresenta através de gráficos e tabelas que as classes de baixa renda (principalmente nas áreas rurais) e grupos mais vulneráveis (idosos, índios, negros,) possuem pouco acesso à internet excluindo-os da tecnologia e do mundo digital. Existem ainda outros desafios a serem enfrentados, principalmente, no ensino. Apesar de muitas escolas públicas estejam tentando implementar tecnologias digitais em suas salas de aula, nem todas têm recursos financeiros e técnicos para fornecer o acesso adequado a tecnologias e habilidades digitais para todos os alunos. Além disso, para Moreira (2020) muitas escolas enfrentam desafios na formação de professores para utilizar efetivamente as tecnologias digitais em suas práticas de ensino. Muitos professores ainda se sentem inseguros e pouco familiarizados com o uso de tecnologias digitais na sala de aula, o que pode limitar a inclusão digital.

Mesmo com as dificuldades para a inclusão digital serem utilizadas de forma significativa na educação, há iniciativas do Governos, organizações sem fins lucrativos e empresas de tecnologia em andamento e em parceria com as escolas públicas para fornecer recursos e tecnologias digitais, bem como programas de formação para professores.

Iniciativas como essas visam garantir que todos os alunos tenham acesso igualitário a habilidades digitais e tecnologias, independentemente de sua localização geográfica ou condição financeira. A inclusão digital é essencial para preparar os alunos para a sociedade digital em que vivemos hoje e para garantir que eles possam competir em um mercado de trabalho cada vez mais digital.

 

     6.            Considerações Finais

 

 

A inclusão digital na educação tem sido cada vez mais reconhecida como uma necessidade para garantir uma educação de qualidade e igualdade de oportunidades para todos. Entende-se que a tecnologia e a conectividade têm sido utilizadas para apoiar a educação e a aprendizagem, mas durante a sua trajetória na educação do país apresentaram desafios a serem superados para que o avanço e a democratização do ensino acontecessem verdadeiramente. A implementação de políticas públicas nas escolas a partir da década de 90 como o Proinfo, contribuíram para a melhoria e acesso do ensino utilizando as tecnologias ao longo desses últimos cinco (5) anos para a igualdade de oportunidades e a redução dos abismos sociais e econômicos no país.

Eventos atuais como a pandemia de COVID-19 evidenciou ainda mais a importância do acesso à tecnologia e a conectividade tanto na escola como no contexto geral profissional e pessoal. Desafios foram surgindo na pandemia como a capacitação dos professores para o uso de ferramentas digitais no ensino a distância, infraestrutura tecnológica adequada para o modo de ensino remoto, acesso á internet, dentre outros, intensificando ainda mais as desigualdades sociais e econômicas já existente no país.

Pode-se afirmar que o impacto da pandemia de COVID-19 foi significativo na educação em todo o mundo, levando a um aumento acentuado do ensino a distância e da utilização de tecnologias digitais. A inclusão digital nas escolas se tornou ainda mais importante e urgente durante este período, uma vez que muitos alunos e professores tiveram que se adaptar rapidamente ao ensino remoto e à aprendizagem online. No entanto, a pandemia, também, expôs as exclusões existentes em relação ao acesso à internet e aos dispositivos digitais, especialmente em áreas mais remotas.

É fundamental que sejam tomadas medidas para garantir que todos os alunos e professores tenham acesso às ferramentas e tecnologias necessárias para participar plenamente do ensino a distância e da aprendizagem online. Isso inclui investimentos em infraestrutura e formação de professores para o uso de tecnologias digitais no ensino a distância, especialmente nas regiões e comunidades mais vulneráveis. Além disso, é preciso garantir o acesso à internet e aos equipamentos de tecnologia para todos os brasileiros, independente da região, classe social ou condição econômica.

Portanto, é necessário que todos os agentes envolvidos na educação, como governos, instituições de ensino, empresas e a sociedade como um todo, trabalhem juntos para promover a inclusão digital na educação e, assim, diminuir as disparidades regionais e garantir uma educação de qualidade e igualdade de oportunidades para todos.

A pesquisa contribuirá para esclarecimentos sobre a inclusão digital em nosso país e indicação para aprofundamentos em estudos posteriores, por meio de contribuir para uma educação de qualidade aliada ao desenvolvimento social e econômico da sociedade como um todo.

 

 

     7.            Referências Bibliográficas

 

 

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