INCLUSÃO DIGITAL: PARA QUEM? Uma reflexão crítica sobre a inclusão digital na escola pública



 

Resumo:

 

A inclusão digital no ambiente escolar já vinha fazendo parte da realidade de muitas escolas, mas acelerou durante a pandemia da Covid-19 e a tendência é que se mantenha nos próximos anos. Na escola pública ela aparece como um desafio e com uma importância relevante. Integrada às práticas pedagógicas torna-se um instrumento valioso para a inclusão social do indivíduo na sociedade, já que permite o avanço nos estudos diminuindo distâncias e aumentando oportunidades para um aprendizado significativo. A partir de tal relevância da inclusão digital na educação surge a problemática pesquisada no paper: Mas como promover a inclusão digital nas escolas públicas dentro de um contexto de desigualdades econômicas e sociais no país? Com essa questão a pesquisa foi realizada com o objetivo de trazer uma discussão sobre a democratização da escola pública a partir da inclusão digital como instrumento transformador da realidade excludente no país. O tema foi “A inclusão digital: para quem? Uma reflexão sobre a inclusão digital na escola pública.”. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica a partir de autores pertinentes ao tema como Mantoan, Silva, Pereira, Porto, Prioste e Raiça.

 

Palavras-chave:  Inclusão Digital. Inclusão social. Tecnologia. Democratização                  

 

 

 

 

Abstract:

 

Digital inclusion in the school environment was already part of the reality of many schools, but it accelerated during the Covid-19 pandemic and the trend is to continue in the coming years. In public school it appears as a challenge and with a relevant importance. Integrated into pedagogical practices, it becomes a valuable instrument for the social inclusion of the individual in society, as it allows progress in studies by reducing distances and increasing opportunities for meaningful learning. From such relevance of digital inclusion in education arises the problem researched in the paper: But how to promote digital inclusion in public schools within a context of economic and social inequalities in the country? With this question, the research was carried out with the objective of bringing a discussion about the democratization of the public school from the digital inclusion as a transforming instrument of the excluding reality in the country. The theme was “Digital inclusion: for whom? A reflection on digital inclusion in public schools”. The methodology used was bibliographic research from authors relevant to the topic such as Mantoan, Silva, Pereira, Porto, Prioste and Raiça.

 

Keywords: Digital Inclusion. Social Inclusion. Technology .Democratization

 

 

 

 

1 Introdução

 

As transformações ocorridas na educação pelo advento tecnológico na chamada “sociedade da informação” nas últimas décadas geram novos comportamentos que procuram se adequar a essa realidade.

 

O surgimento do termo “Sociedade da Informação” se deu na década de 1970, especialmente no Japão e EUA, no âmbito de discussões sobre o que seria a “sociedade pós-industrial” e quais seriam suas principais características. Foi a partir deste momento que os formuladores de políticas perceberam que a informação estava desempenhando um papel cada vez mais importante não apenas em setores econômicos, mas também na vida social, cultural e política.(Silva; Donadel and Marques, 2013, p.4).

 

 

Novas habilidades e conhecimentos surgem para atender a demanda nas instituições educacionais. Oportunizar a todos que participam desse processo de ensino e aprendizagem e se sintam pertencentes desse cenário repleto de inovações tecnológicas, será um desafio a ser superado nos próximos anos.

 

O ambiente educacional tem que se familiarizar com as transformações perante os avanços científicos e tecnológicos e assim constituir uma aprendizagem inovadora que leva o indivíduo a estar inserido na cultura digital. Em um mundo em constante mudança, a educação escolar tem de ser mais do que uma mera assimilação certificada de saberes, muito mais do que preparar consumidores ou treinar pessoas para a utilização das tecnologias de informação e comunicação.(Porto, 2016, p.11)

 

 

Precisa-se pensar em uma escola que forme
cidadãos capazes de lidar com os avanços tecnológicos, em especial o computador, que garanta a participação dos profissionais e alunos no processo de ensino e aprendizagem, porém,
entendendo que a educação é para todos e deve-se ter a inclusão como um passo importante nas ações pedagógicas.

 

Para Pereira (2018, n.p.)  “orientação da UNESCO (1994) reforçam que é dever da escola acolher a todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou linguísticas.”, sendo essencial preparar o ambiente educacional para a inclusão digital na construção do conhecimento e na melhoria do processo ensino e aprendizagem.

 

Para se compreender, de fato, a importância da inclusão digital das diferentes pessoas, é indispensável se entender, primeiramente, a inclusão como sendo a prática de aceitar, conhecer e entender a diversidade de hábitos, pensamentos e (des) conhecimentos de uma pessoa. Essa concepção se amplia na medida em que atende às diferentes carências e que proporciona o acesso digno e justo aos indivíduos, além de tornar acessíveis os lugares e os eventos onde eles precisarem participar e/ou pertencer. (Pereira, 2015, n.p.)

 

O ensino na era digital é um desafio. Portanto, propor estratégias diferenciadas usando as tecnologias de informação como aliadas da educação é um método eficaz para o processo de ensino e aprendizagem. A inclusão digital é uma tendência que, também, chegou na área da educação com o objetivo de democratizar o acesso às novas tecnologias colaborativas e de comunicação para alunos e professores dentro das instituições de ensino.

 

Definimos um ensino de qualidade a partir de condições de trabalho pedagógico que implicam em formação de redes de saberes e de relações, que se enredam por caminhos imprevisíveis para chegar ao conhecimento. Entendemos   que   existe   ensino   de   qualidade   quando   as   ações   educativas   se   pautam   por solidariedade, colaboração, compartilhamento do processo educativo com todos os que estão direta ou indiretamente nele envolvidos. ( Mantoan, 2007, p.2)

 

 

Mas como promover a inclusão digital nas escolas públicas dentro de um contexto de desigualdades econômicas e sociais do nosso país? Com essa questão a pesquisa foi realizada com o objetivo de trazer uma discussão sobre a democratização da escola pública a partir da inclusão digital como instrumento transformador do ensino excludente. O tema foi “A inclusão digital: para quem? Uma reflexão sobre a inclusão digital na escola pública.”. Este paper teve como metodologia a revisão bibliográfica realizada a partir do referencial teórico abordado na disciplina e selecionado de acordo com os principais  teóricos sobre a temática abordada.

 

2 Inclusão Digital no contexto social e no ensino público

 

A inclusão digital tem uma relevância significativa no ensino, pois possibilita a aprendizagem do educando com suas diferenças e limitações. Quando nos referimos a inclusão digital, não estamos apontando apenas para a habilidade de usar os recursos disponíveis em cada aparelho, mas as que atendam às necessidades cognitivas e proporcione o maior aprendizado possível.

 

Para se compreender, de fato, a importância da inclusão digital das diferentes pessoas, é indispensável se entender, primeiramente, a inclusão como sendo a prática de aceitar, conhecer e entender a diversidade de hábitos, pensamentos e (des) conhecimentos de uma pessoa. Essa concepção se amplia na medida em que atende às diferentes carências e que proporciona o acesso digno e justo aos indivíduos, além de tornar acessíveis os lugares e os eventos onde eles precisarem participar e/ou pertencer.(Pereira, 2016, p.04)

 

 

O aluno quando sabe usar as tecnologias, ele obtém informações, permitindo que qualquer pessoa, em qualquer lugar, possa desenvolver habilidades, tenha acesso ao conhecimento que é uma das maneiras mais eficazes de promover, também, a autonomia e inclusão social.

 

As novas tecnologias de comunicação tornaram-se um “bem” e uma capacidade para a qualidade de vida dos indivíduos nas sociedades contemporâneas e a falta de acesso a essas tecnologias significam a criação de uma privação característica das formas de exclusão contemporânea. (Silva, 2018, p.08)

 

Como todas as inovações, promover a inclusão digital em um país onde as desigualdades sociais são tão gritantes surgem alguns desafios. Até porque essas inovações promovem mudanças no pensar e no agir de alunos e professores, e demandam alterações na estrutura das salas de aula e da própria instituição de educação pública.

 

Se a compreensão da sociedade, das políticas educacionais e dos profissionais da educação, quanto a inclusão e a inclusão digital não mudar; e se as práticas docentes não se adequarem ao novo contexto de ensino e de aprendizagem, novos anos letivos começarão e velhas ideias serão defendidas; novos conteúdos tentarão ser ensinados com velhos métodos. Serão recebidos novos estudantes, com novas expectativas, realidades e saberes, que serão tratados como os pais foram, que serão ensinados com os materiais que os pais usaram, num mundo onde os pais viveram. (Pereira, 2015, p.09)

 

O poder público precisa realizar ações pedagógicas e estruturais com investimentos significativos nas escolas públicas, como criar espaços que possibilitem novos formatos de sala de aula, com uma internet de qualidade e ferramentas necessárias para que alunos e professores inovem a maneira de aprender e ensinar.

 

O governo não pode se eximir do compromisso de elaboração e implementação de   políticas   públicas   efetivas   em   inclusão   digital   para   todos, contemplando   as adaptações tecnológicas e pedagógicas necessárias à formação cidadã, incluindo as pessoas  com  deficiência.(Prioste e Raiça, 2017, p.12)

 

E para que haja uma inclusão digital nas escolas públicas é preciso que na formação dos professores o assunto seja pauta para que esse instrumento pedagógico possa ser aproveitados o máximo e de forma adequada a necessidade e expectativa de cada realidade escolar.

Dada a constatação, faz-se necessária a capacitação frequente dos profissionais da educação para que seja constituída uma nova pedagogia, a qual seja capaz de respeitar as diferenças, que possa compreender as diferentes necessidades e que, por consequência, considere a inclusão digital como um dos recursos para a compreensão e para a participação cidadã da sociedade do século XXI.(Pereira, 2015, n.p)

 

A inclusão digital no contexto educacional contribui para o ensino democrático trazendo inúmeras melhorias para o educando e permitindo o engajamento de todos na aprendizagem para uma educação que busca, também, a inclusão social, como aponta Pereira (2015, n.p) “É necessário se ter igualdade, porém sem justiça a cada necessidade, não é possível fazer diferente. Não é possível ser a diferença. É assim para a inclusão social, é assim para a inclusão digital”.

Não é possível falar de inclusão digital sem pensar em inclusão social. A escola precisa ser um espaço democrático em que todos tem acesso ao conhecimento independente de suas diferenças e limitações. É dever da escola proporcionar um ensino para todos como afirma Silva

 

 A Declaração de Salamanca, documento criado em junho de 1994, na Espanha, tem como objetivo principal orientar as políticas públicas na promoção da educação para todos, podendo ser considerada fundamental e complementar a registros brasileiros já conhecidos anteriormente, como a Constituição de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990. (2015, n.p.)

 

A escola inclusiva oportuniza a todos os alunos e professores a estarem familiarizados com a tecnologia, e portanto, permite que o acesso ao conhecimento e aos meios educativos aconteçam de forma efetiva, participativa e inclusiva, como aponta Mantoan “Escolas   abertas   às   diferenças   e   capazes   de   ensinar   a   turma   toda   demandam, portanto,   uma ressignificação e uma reorganização completa dos processos de ensino e de aprendizagem.” (2007, p.3)

 

Apesar de todos os desafios elencados até aqui a escola pública ainda representa como um espaço democrático, onde indivíduos buscam o aprendizado dentro de suas diferenças e limitações, provocando, assim,  mudanças no paradigma educacional.

 

Há que se pensar a inclusão digital para além do simples acesso a uma tecnologia de informação e comunicação. A inclusão digital, como necessidade histórica, possui um valor que deve ser transformado em direito a ser utilizado pelo ser humano contra esta exclusão. A inclusão digital como direito fundamental deve ser incorporada pelo ser humano para combater as práticas exclusivas. (Silva et al, 2013, p.12)

 

A escola pública representa um espaço democrático e deve criar oportunidade para que todos tenha alcance ao ensino. A escola precisa transformar e criar subsídios para o ensino e aprendizagem dna educação, a fim de transmitir um conhecimento assimilado à formação do sujeito e assim evitar situações de exclusões no ambiente escolar.

 

 

3 Considerações Finais

 

Pensar a inclusão digital para ser apenas um instrumento de acesso à tecnologia e a informação, vai além de uma proposta cidadã e democrática na educação. A inclusão digital vem com uma quebra de paradigmas no ensino, onde a busca pela inclusão social do indivíduo no processo de ensino e aprendizagem aparece com um direito dentro de uma sociedade excludente.

A pesquisa mostra que nas escolas a educação de qualidade  apenas com a implantação da inclusão digital não será garantida, e vai além disso, é preciso criar uma estrutura física e humana para que o ensino avance nessa proposta inovadora. Investimentos na formação do professor é um ponto que deve ser observado, pois, sem a preparação do colegiado para as ações pedagógicas que serão desempenhadas pautadas na tecnologia, o ensino não atenderá as necessidades de cada realidade escolar e mais uma vez estará inserido nas práticas excludentes. Entender que a inclusão digital deve estar conectada com a inclusão social e,  através de ações governamentais na escola pública e a preparação de todos os autores no processo de ensino e aprendizagem, teremos uma escola democrática e cidadã e menos excludente. A pesquisa traz informações sobre o assunto para a comunidade acadêmica sugerindo um aprofundamento posteriores dos estudos elencados no paper.

  

4 Referências Bibliográficas

Mantoan, M. T. E., (2007). Ensinar a turma toda e promover a inclusão. Unicamp.Campinas

Prioste,   C.;Raiça,  D. (2017) .Inclusão   digital   e   os   principais   desafios educacionais   brasileiros. Araraquara. Revista   on   line   de   Política   e   Gestão   Educacional.

Porto, D.V.(2016). Inclusão digital de Professores: Um olhar sobre a formação dos alunos do curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília. Dissertação de mestrado Brasília. Universidade de Brasília. Brasília.

Pereira, A.N.de.S.(2018). Formação de Professores para a inclusão digital. [e‐book] Flórida: Must University

_______________(2015). Inclusão digital para inclusão social. [e‐book] Flórida: Must University

Silva, R. da , Marques, A. D., Donadel,  M.V. S. 3. (2013). Desafios da inclusão digital e direitos humanos. Anais do 2º Congresso Internacional de Direito e Contemporaneidade. Santa Maria, RS.

Silva, M. A. R. da. Inclusão digital nas escolas públicas [recurso eletrônico] : o uso pedagógico dos computadores e o PROINFO Natal/RN .


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